segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Emprego na indústria registra a maior queda desde 2001

O nível de emprego na indústria seguiu o ritmo da produção e caiu pelo terceiro mês consecutivo. Em dezembro, houve variação negativa de 1,8%, na comparação com o mês anterior, informou nesta segunda-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Trata-se da maior retração observada desde 2001, quando a série histórica foi iniciada. Em novembro, na mesma base de comparação, a queda havia sido de 0,6%.

Em relação a igual período do ano passado, houve queda de 1,1%. Essa retração interrompeu uma série de 29 resultados positivos nessa relação. Foi o menor resultado desde janeiro de 2004, quando o empego na indústria havia recuado 1,2%.

Ao longo de 2008, o IBGE verificou crescimento de 2,1% em relação ao ano anterior. De janeiro a setembro, antes do agravamento da crise mundial, a expansão do emprego industrial havia chegado a 2,7%. No último trimestre de 2008, houve variação negativa de 1,1% na com paração com o trimestre imediatamente anterior, interrompendo série de dez trimestres com variações positivas.

O valor da folha de pagamento dos trabalhadores da indústria registrou também a terceira contração consecutiva, com queda de 0,7 % em dezembro, na comparação com o mês anterior. Em relação a dezembro de 2007, houve incremento de 4,1%, 36ª alta consecutiva. Em 2008, a folha de pagamento na indústria avançou 6%.

O IBGE indicou que, na comparação com dezembro de 2007, houve diminuição dos postos de trabalho em nove dos 18 setores pesquisados. Entre as 14 regiões avaliadas, houve queda em 11 locais, com destaque para Santa Catarina (-3,2%), Paraná (-3,1%), Região Nordeste (-2%) e São Paulo (-0,8%). Foi a primeira queda nesse indicador, na indústria paulista, desde abril de 2004.

Em Sâo Paulo e em Santa Catarina, o destaque negativo ficou por conta do setor de vestuário, com retrações de 11,3% e 14,2%, respectivamente. No Paraná, o nível de emprego na indústria madeireira caiu 21% em relação a dezembro de 2007.

No resultado fechado de 2008, o IBGE observou crescimento em 12 dos 18 ramos e em 11 dos 14 locais pesquisados. As principais influências no ano vieram de São Paulo (3%) e Minas Gerais (4,2%).

Entre os setores, destacaram-se máquinas e equipamentos (10,4%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (10,6%) e meios de transporte (8,5%).

Em relação a dezembro de 2007, o ganho salarial na indústria foi constatado em 12 das 14 áreas avaliadas, com destaque para São Paulo (6%), Paraná (5,4%) e Minas Gerais (4,1%).

A folha de pagamento real cresceu em 15 dos 18 ramos investigados, na comparação com dezembro de 2007. Os maiores impactos positivos vieram de meios de transporte (10,5%), produtos de metal (10,2%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (7,1%).

Ao mesmo tempo, foram constatadas quedas na folha de pagamento dos setores de vestuário (14%) e madeira (-9,9%), na comparação com dezembro de 2007.

O número de horas pagas na indústria caiu 1,7% em relação ao mês anterior. A retração foi semelhante ao que havia sido verificado em novembro, quando foi notada a, maior queda desde o início da série histórica.

Em relação a dezembro de 2007 apresentou recuo de 1,8% em dezembro, menor taxa desde dezembro de 2003, cuja retração chegara a 1,9%.

Fonte: Folha

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Incêndios matam mais de 100 e destroem 700 casas na Austrália

Incêndios no sul da Austrália já mataram pelo menos 108 pessoas e destruíram mais de 700 casas no Estado de Victoria, segundo dados divulgados pelas autoridades neste domingo.

Cerca de 14 mil casas estão sem eletricidade. Os fogos teriam se espalhado por cerca de 30 mil hectares de florestas, plantações e cidades.

A polícia está alertando que o número de vítimas pode aumentar. Algumas vítimas dos fogos morreram em seus carros, enquanto tentavam fugir dos incêndios.

Duas cidades do Estado, Marysville e Kinglake, foram quase completamente incineradas. Em Kinglake, seis corpos foram encontrados em um carro.

Em Marysville, onde moram cerca de 500 pessoas, os bombeiros afirmam que restou apenas um prédio.

Ajuda militar

Uma moradora da cidade de Strathewen disse à rádio local ABC que muitas pessoas presenciaram "cenas de terror" enquanto enfrentavam as chamas.

"A escola se foi, a prefeitura se foi... algumas pessoas não conseguiram sair de lá. Nós perdemos amigos", disse a moradora.

Darren Webb-Johnson, morador de Kingslake, disse à rede de televisão Sky TV: "A estação de serviços se foi, o armazém do outro lado da rua se foi, a tubulação explodiu por toda a parte e 80% da cidade foi totalmente queimada".

Dezenas de milhares de bombeiros foram enviados para as regiões afetadas. O governo federal ofereceu ajuda militar.

O premiê australiano, Kevin Rudd, está visitando as áreas devastadas. O Estado de Victoria, que registrou altas recordes de temperaturas nos últimos dias, também está enfrentando os piores incêndios da sua história.

Altas temperaturas e o ar seco estão ajudando a espalhar o fogo, mas as autoridades afirmam que muitos incêndios foram causados deliberadamente por criminosos. Na região de Gippsland, os incêndios foram controlados, mas a polícia afirma que um incendiário começou novos focos.

Segundo o correspondente da BBC em Sydney, Nick Bryant, as temperaturas caíram um pouco e os fortes ventos também perderam intensidade. Mesmo assim, o governador de Victoria, John Brumby, disse que os incêndios devem continuar nesta semana.

Fonte: BBC

Hamas poderá trocar prisioneiros com Israel

Um dos principais dirigentes do movimento islâmico do Hamas, Moussa Abul Markuz, disse neste domingo que não descarta a possibilidade de libertar o prisioneiro israelense Gilad Shalit, mediante um acordo de trocas de presos.

"Assim como Israel tem vontade de libertar Shalit, também estamos determinados em conseguir nossas reivindicações e que sejam colocados em liberdade as mulheres, as crianças e outros irmãos que continuam nas prisões israelenses", disse Moussa ao afirmar que se os israelenses forem sérios nas propostas, será possível fazer um progresso em breve.

"Graças às conversas que mantivemos no Cairo, acho que haverá resultados positivos em poucos dias para alcançar um acordo sobre uma trégua com os israelenses", disse.

Há várias semanas, o Egito está intermediando um acordo de paz entre o Hamas e Israel. Nos 22 dias da ofensiva israelense na faixa de Gaza, 1.300 palestinos e 13 israelenses foram mortos. A negociação também busca eliminar as causas de conflito entre palestinos e israelenses e avançar na reconciliação entre o Hamas e o grupo palestino rival Fatah.

Nas declarações, Marzuk afirmou que um cessar-fogo durável com Israel deveria incluir a imediata suspensão do bloqueio que afeta Gaza desde que o Hamas tomou à força o controle desse território, em junho de 2007.

Marzuk, que está exilado em Damasco, acrescentou que o Hamas está esperando explicações sobre uma oferta palestina para permitir parcialmente, em até 80%, a reabertura dos pontos fronteiriços de Gaza, a fim de suspender o bloqueio.

"A delegação [do Hamas em Gaza] voltará ao Cairo nesta segunda-feira para enviar nossa resposta a nossos irmãos egípcios e obter respostas israelenses sobre certas exigências", disse Marzuk.

Fonte: Efe

Aumento do nível do mar pode ser 25% maior que o esperado, diz estudo

O aquecimento global pode derreter a calota de gelo na Antártida ocidental e causar inundações no litoral da América do Norte e nas nações do Oceano Índico, segundo um artigo publicado pela revista "Science".

Cientistas da Universidade Estadual do Oregon (EUA) descobriram que, se as previsões sobre o derretimento da camada de gelo da Antártida ocidental se confirmarem, o aumento do nível do mar será maior que o esperado.

Segundo pesquisas do grupo liderado pelo geofísico Jerry Mitrovica, pela física Natalya Gómez e pelo geocientista Peter Clark, os oceanos podem subir 25% mais do que o esperado, o que causaria grande impacto em cidades litorâneas como Nova York e Washington.

Até pouco tempo atrás, achava-se que o fim do gelo antártico faria o nível do mar subir cinco metros, disse Mitrovica, diretor do Programa de Evolução de Sistemas da Terra no Instituto Canadense de Pesquisas Avançadas.

Esses cálculos, explicou, foram feitos transformando o volume total da calota de gelo em água e considerando que a água derretida se distribuiria por igual no mundo todo.

No entanto, segundo os pesquisadores, esta é uma estimativa simplista, que não leva em conta outros efeitos fundamentais.

Força gravitacional

Em primeiro lugar, quando uma placa de gelo derrete, perde sua força gravitacional e faz com que a água se afaste.

Sendo assim, quando uma calota de gelo se funde, o volume de água diminui em um raio de 2.000 quilômetros e, consequentemente, aumenta progressivamente nas áreas mais afastadas.

"Se a placa de gelo no oeste antártico derreter, o nível do mar perto da Antártida diminuirá, mas aumentará muito mais do que o esperado no hemisfério Norte, por causa deste efeito gravitacional", explicou o especialista.

O estudo, que será publicado em 6 de fevereiro pela revista 'Science', acrescenta que um dos fatores ignorados nas outras simulações é o buraco que ficará no solo rochoso sobre o qual a placa se sustenta.

Os cientistas dizem que primeiro ele se encherá de água. Mas preveem que, depois que o gelo desaparecer, o buraco diminuirá de tamanho, empurrando parte da água em seu interior de volta para o mar, contribuindo para aumento do nível dos oceanos.

Os autores do artigo dizem ainda que, se desaparecer totalmente, a placa de gelo causará uma mudança no eixo de rotação da Terra.

Deslocamento de águas

Esta mudança provocaria um deslocamento na água dos oceanos Atlântico e Pacífico, do sul para o norte, o que afetaria as áreas da América do Norte e do Oceano Índico meridional.

"O efeito de todos estes processos é que, se a placa de gelo da Antártida ocidental derreter, o aumento no nível do mar em muitas regiões litorâneas será pelo menos 25% maior que o esperado", alertou Mitrovica.

Isto se traduziria em um aumento de seis a sete metros do nível do mar, "uma grande quantidade de água adicional, sobretudo ao redor de áreas urbanas como Washington DC, Nova York e a costa da Califórnia", disse.

A comunidade científica ainda está debatendo que quantidade de gelo desapareceria se a placa ocidental derretesse, mas segundo o cientista, aconteça o que acontecer, "o trabalho comprova que o aumento do nível do mar que se produz em muitas zonas litorâneas povoadas seria muito maior" do que o indicado pelas primeiras estimativas.

Fonte: Folha On Line

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009