quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Bovespa fecha em retração de 10,18% com maus resultados de empresas

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) interrompeu o pregão pela sexta vez em pouco mais de 20 dias na jornada desta quarta-feira, mostrando que volatilidade continua a ser a palavra de ordem nos mercados financeiros. A temporada de divulgação de balanços corporativos reforçou o pessimismo dos investidores sobre a perspectiva de uma recessão global.

As oscilações da Bolsa "testaram" os nervos dos participantes do mercado financeiro várias vezes ao dia: por volta das 15h, às 16h, para desabar 10,03% às 17h17, quando o "circuit breaker" foi acionado, suspendendo o pregão por meia hora. Devido a essa interrupção, o expediente foi prorrogado para as 18h18. O "after market" foi ajustado para o horário das 19h às 19h30.

Em um dia bastante turbulento, o Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 10,18%, aos 35.069 pontos. O giro financeiro foi baixo, de R$ 4,42 bilhões. Em Nova York, no epicentro da crise financeiro, a Bolsa despencou 5,69%.

O dólar comercial foi cotado a R$ 2,382 para venda, o que representa um incremento de 6,76% sobre a cotação de ontem. A taxa de risco-país disparou 25,83% e atingiu os 677 pontos. O BC agiu por três vezes no mercado de moeda, primeiro com um leilão de venda de dólares, e com dois leilões de "swap" cambial.

"Foi um conjunto de fatores que atuou para derrubar a Bolsa dessa forma. Um desses fatores foi essa medida provisória do governo para estatização dos bancos, que pegou muito mal no mercado. Passou a impressão de que há instituições financeiras realmente com problemas", afirmou Boris Kogan, operador da corrretora Walpires. "O primeiro-ministro britânico, o Gordon Brown, também anunciou que a Inglaterra deve entrar em recessão, justamente uma das maiores economias do mundo. E nós tivemos ainda balanços muito ruins nos EUA", acrescenta o operador.

Outros analistas notam ainda ação de investidores estrangeiros, fazendo caixa com a venda de ações brasileiras para cobrir necessidades de caixa no exterior.

"O que nos parece é que os mercados ainda não se alinharam com os pacotes já anunciados pelos governos [da Europa e dos EUA] e que representam mais de US$ 3 trilhões [para ajudar o sistema financeiro]. Esses pacotes vão ajudar o sistema financeiro a se capitalizar no médio prazo. O problema é que muitos bancos precisam de dinheiro para ontem", nota Saulo Sabbá, diretor de gestão da Máxima Asset Management. "Ninguém vende ação da Petrobras ou da Vale [do Rio Doce] a R$ 22 porque acha que está cara", reforça.

Estatização
O governo anunciou hoje que autorizou o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a adquirirem participações em instituições financeiras no país sem passar por um processo de licitação.

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que muitas instituições financeiras estão com problemas de caixa no país. "Não tem banco quebrando no Brasil. Isso não isenta o sistema financeiro de problema de liquidez. Se não tivesse, o BC não estaria devolvendo o compulsório, não haveria compra de carteira", afirmou ele.

Mantega também afirmou que caso algumas instituições financeiras sejam estatizadas, esses bancos devem ser revendidos, dentro das normas da medida provisória publicada hoje. "É uma medida que responde à necessidade do momento, de crise de liquidez internacional que tem alguma repercussão no Brasil. Depois de restabelecidos o crédito, essas instituições poderão ser revendidas", afirmou o ministro.

A opinião negativa do mercado financeiro sobre a medida provisória não foi unânime. Alguns analistas viram com bons olhos a iniciativa do governo. "O sistema financeiro aqui no Brasil precisa de liquidez, sim. Os bancos de médio porte estão carregados de créditos consignados, que podem repassar e fazer caixa. O problema é no curto prazo: algumas instituições financeiras estão sofrendo um pouco fechar caixa", comenta Saulo Sabbá, da Máxima.

"Aqui, nós vamos temos algumas vantagens sobre os bancos no exterior. Como os créditos são mais homogêneos, seria fácil juntar alguns ativos num mesmo fundo e vender a 130% do CDI, por exemplo. Os bancos podem ser capitalizados mais rapidamente", avalia.

Empresas
Ontem à noite, o portal Yahoo! revelou um lucro líquido de US$ 54,34 milhões no terceiro trimestre, número 64% abaixo dos ganhos registrados no mesmo período em 2007.

E hoje, o banco Wachovia anunciou um prejuízo de US$ 23,9 bilhões no terceiro trimestre. Segundo agências internacionais, trata-se da maior perda já registrada por uma instituição financeira desde o início da crise dos créditos "subprime".

A brasileira Suzano Papel e Celulose informou hoje prejuízo líquido de R$ 293,07 milhões no terceiro trimestre, ante um lucro de R$ 168,34 milhões em idêntico período em 2007. No terceiro trimestre do ano passado, as receitas financeiras haviam superado as despesas em R$ 84,06 milhões. Neste ano, no entanto, o chamado "resultado financeiro líquido" (receitas menos despesas) ficou negativo em R$ 653,51 milhões.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Bovespa avança 6,25%, com Vale e Petrobras; dólar atinge R$ 2,13

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ganha ímpeto e sobe mais de 6%, a reboque da recuperação das Bolsas internacionais e sustentada pela valorização dos preços nas commodities (matérias-primas). Em uma "pausa" da crise, investidores mostram um relativo otimismo sobre os esforços dos governos europeus e dos EUA para auxiliar o sistema financeiro.

O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, avança 6,25% e bate os 38.673 pontos. O giro financeiro é de R$ 3,47 bilhões.

As ações líderes da Bolsa, Petrobras e Vale, puxam a valorização do mercado brasileiro. A ação da estatal petrolífera, com giro de R$ 550 milhões, sobe 7,52%, enquanto a ação da mineradora ascende 7,77%, com negócios de R$ 380 milhões.

O dólar comercial é cotado a R$ 2,130 na venda, em alta de 0,47%. A taxa de risco-país marca 490 pontos, número 1,01% abaixo da pontuação anterior.

As Bolsas européias fecharam com fortes altas, a exemplo de Londres (5,40%), Paris (3,56%) e Frankfurt (1,12%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York sobe 2,39%.

O governo da Suécia apresentou hoje um plano de 1,5 trilhão de coroas (cerca de US$ 203 bilhões) para ajudar o sistema financeiro de seu país. Além da Suécia, recentemente os governos da Holanda, China, Índia e Coréia do Sul apresentaram medidas para enfrentar os desdobramentos da crise financeira. E hoje, o presidente do Fed (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, defendeu um novo plano de estímulo à economia.

No Reino Unido, o ministro das Finanças, Alistair Darling, disse ao "Daily Telegraph" que o governo britânico deve aumentar seus gastos para ajudar a economia a enfrentar um período de recessão.

Ainda no front doméstico, a inflação medida pelo IGP-M subiu 0,86%, pela segunda leitura prévia do mês de outubro. No mesmo período em setembro, a leitura prévia apontava inflação de 0,04%.

Hoje, o Banco Central brasileiro realiza o seu primeiro leilão de dólares, com o compromisso dos bancos em utilizar os recursos em operação de financiamentos para a exportação. O leilão de US$ 2 bilhões será realizado entre as 16h e 17h.

Reservas chinesas podem ser 'salvação' para crise global

Com quase US$ 2 trilhões em reservas de moeda estrangeira, a China é considerada por alguns como a potencial salvadora do sistema bancário ocidental.

Para tentar resgatar as empresas do setor financeiro, os governos ocidentais precisam de dinheiro, e a China parece um bom lugar para consegui-lo.

Mas economistas chineses dizem que, mesmo se estiver mostrar disposto a fazer sua parte nos esforços de resgate, o país não passará cheques em branco.

Autoridades do governo chinês dizem estar mais preocupadas com seus próprios problemas como evitar a desaceleração de sua própria economia.

Qualquer ajuda oferecida pelo governo chinês para ajudar a solucionar a atual crise financeira deverá vir com amarras.

O florescimento das exportações chinesas nos últimos anos ajudou o país a construir a maior reserva do mundo em moeda estrangeira.

Segundo números divulgados na semana passada, o montante chega a US$ 1,9 trilhão.

Empréstimo

Em artigo publicado no diário financeiro britânico Financial Times, o economista Arvind Subramanian sugere que os Estados Unidos poderiam tomar algum dinheiro emprestado da China.

"O governo chinês poderia oferecer um empréstimo de até US$ 500 bilhões para o governo americano para ajudar a resgatar seu setor financeiro", disse Subramanian, do Instituto Peterson de Economia Internacional.

Na realidade, os chineses têm feito algo parecido com um empréstimo nos últimos anos. O governo de Pequim tem comprado parte da dívida americana, o que possibilitou aos Estados Unidos gastar além do que poderiam.

"A China já está ajudando a economia americana e, se possível, continuará a fazê-lo", disse Zhao Xiijun, da Universidade Remin, em Pequim.

Mas, para Zhao, a China não poderá, sozinha, resolver os problemas financeiros do mundo. Na opinião do economista, outros emergentes como Índia, Rússia e Brasil também terão de ajudar.

"Não será suficiente se as economias emergentes ou os países desenvolvidos fizerem isso sozinhos", acrescentou Zhao. "Eles deverão fazer isso juntos."

Agenda chinesa

Apesar de a China ter dinheiro para ajudar, não é certo que haja vontade política para colocar a crise financeira mundial no topo da agenda do país.

Os líderes chineses já sinalizaram que os governos do Ocidente devem sanar seus próprios problemas financeiros.

Yi Gang, vice-diretor do Banco Popular da China, levantou essa questão durante um encontro de líderes mundiais em Washington na semana passada.

"O Banco Mundial deveria pedir aos países desenvolvidos que carreguem nas costas suas responsabilidade por estabilizar a economia global", afirmou.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, também acrescentou seus comentários ao debate. Disse que seu país fará sua parte na crise, mas, em uma conversa telefônica com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, deixou claro onde residem as prioridades da China.

"A coisa mais importante para a China agora é lidar com suas próprias questões", teria dito o primeiro-ministro, segundo relatos obtidos pela agência estatal chinesa Xinhua.

Há alguns dias, a China prometeu dobrar, nos próximos 12 anos, os salários dos moradores da zona rural, onde ainda vive a maioria de sua população.

O governo vai tentar cumprir a promessa, apesar de o economista chinês independente Andy Xie acreditar na desaceleração econômica do país.

Xie diz que a China escapou dos grandes problemas financeiros que afetaram os outros, mas terá de procurar outras áreas do mundo para gerar crescimento no futuro.

Economia da China desacelera pelo terceiro trimestre consecutivo

A economia da China cresceu 9% no terceiro trimestre, desacelerando de uma expansão de 10,1% observada nos três meses anteriores.

A desaceleração da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) ocorre apesar de a China ter registrado saldo positivo recorde na balança comercial em agosto e setembro e vir apresentando níveis consistentes no aumento de investimentos e do consumo doméstico no país.

Na média, o crescimento do PIB da China entre janeiro e setembro deste ano está em 9,9%, com um primeiro semestre de expansão de 10,4%, informou nesta segunda-feira o Departamento Nacional de Estatísticas do país em um comunicado oficial.

O porta-voz do governo Li Xiaochao afirmou que a desaceleração é muito maior do que a esperada pelo governo e disse que a "incerteza e volatilidade" dos mercados internacionais contribuíram para esse resultado.

Retrocesso
No entanto, analistas ressaltam que apesar de ser um retrocesso frente à expansão de quase 12% observada no ano passado, o crescimento atual é tido como excelente em meio à crise nos mercados e a situação observada no Ocidente.

"É um retrocesso, mas eu posso viver com um crescimento de 9%. Isso ainda é um excelente resultado se comparado com a recessão que vemos em outras economias", disse à BBC Brasil Andrew Freris, estrategista sênior de investimentos para a Ásia do banco BNP Paribas em Hong Kong.

Analistas acreditam que os resultados verdadeiramente sombrios causados pela crise nos mercados deverão aparecer nas estatísticas mais adiante, somente a partir do primeiro trimestre de 2009.

Empresas do delta do Rio das Pérolas, região do sul que concentra grande atividade industrial, já começaram a fechar as portas. Na semana passada, uma fabricante de brinquedos encerrou atividades em duas fábricas, demitindo mais de 6.500 trabalhadores.

Um estudo da Federação de Indústrias de Hong Kong divulgado neste fim de semana estima que outros 2,5 milhões de trabalhadores ficarão sem emprego na região nos próximos três meses devido ao fechamento de pequenas e médias empresas dependentes de exportações.

Setembro registrou a produção industrial mais baixa dos últimos seis anos, e a economia da China vem apresentando desaceleração há mais de três trimestres consecutivos.

Pacote de estímulo
Preocupado com a perspectiva de um forte baque econômico, o governo afirmou estar trabalhando para preservar o crescimento e controlar a inflação.

Economistas aguardam o anúncio de um pacote de estímulo que deverá incluir cortes em impostos e mais investimento em infra-estrutura. Flexibilização de crédito para o mercado imobiliário também poderá integrar o conjunto de medidas.

O banco central já cortou por duas vezes a taxa de juros, e estima-se que até o fim do ano seja anunciado mais um corte.

Além disso, uma nova política agrária que permite troca e negociação de terrenos arrendados pelo governo para facilitar a produtividade no campo e trazer mais riqueza aos agricultores também foi anunciada na semana passada.

Investimento e consumo

Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, o governo deve seguir estimulando investimento e consumo doméstico.

"Sim, estamos vendo uma rotação da demanda para o lado interno. A composição do PIB mostra que há aumento consistente no consumo doméstico nos últimos anos", disse Grace Ng, economista do banco JP Morgan.

"É bastante encorajador que mais de 8% do crescimento de 9,9% observado desde o começo do ano tenha como motor o investimento e o consumo doméstico", avalia Glenn Maguire, Economista Chefe para a região Ásia-Pacífico do banco Societé Generale.

Freris afirmou que está otimista com o resultado, porque ele mostra que a economia chinesa poderá, a longo prazo, enfrentar o período de incerteza que se aproxima com a queda no consumo norte-americano.

"Mesmo que haja uma redução extrema das exportações, a China não depende mais disso para realizar um crescimento consistente, o que já é excelente", avalia Freris.

"Ainda que exista um cenário de colapso global, a China é capaz de crescer puramente com seu consumo interno", ressaltou Maguire.

Inflação

A inflação, que é medida pelo índice de preços ao consumidor, também mostrou retração, ficando na casa dos 4,6% em setembro, um recuo frente aos 4,9% observados em agosto.

Esse já é o quinto trimestre seguido em que os preços ao consumidor retrocedem. A redução na inflação foi o objetivo central da política econômica chinesa desde o começo do ano, mas com a perspectiva de desaceleração no PIB, o governo passa a ter novas prioridades.

De acordo com o porta-voz Li Xiaochao, apesar de tudo, os fundamentos da economia da China estão essencialmente bons porque o crescimento ainda é estável e acelerado, os preços ao consumidor seguem caindo e a estrutura industrial está se adaptando a uma nova dinâmica.

OIT prevê 20 milhões a mais de desempregados devido à crise financeira

A crise financeira pode colocar na rua 20 milhões de pessoas em todo o mundo até o final de 2009, afirmou o diretor geral da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Juan Somavía, em uma entrevista coletiva à imprensa.

Segundo as estimativas da OIT apresentadas por Somavía, "o número de desempregados poderá subir de 190 milhões em 2007 para 210 milhões no final de 2009", e inclusive ser maior se a crise se agravar.

"Precisamos de uma ação rápida e coordenada dos governos para evitar uma crise social que poderá ser grave, prolongada e mundial", acrescentou o chileno.

Segundo o relatório anual da OIT, divulgado na semana passada, a globalização não apenas "falhou em contribuir no desenvolvimento da produtividade global e na criação de empregos" como também "intensificou a instabilidade econômica".

"Globalmente, crises no setor bancário foram 10 vezes mais freqüentes nos anos 90 do que no final dos anos 70", diz o documento. "O desemprego deve aumentar em conseqüência da queda no investimento e isso pode intensificar ainda mais as desigualdades de renda", afirmou a OIT.

Fonte: France Presse

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Tropa de choque da PM entra em confronto com policiais civis em greve em SP

Policiais civis entraram em confronto com policiais militares na região da rua Padre Lebret, no bairro do Morumbi, zona oeste de São Paulo, no final da tarde desta quinta-feira. A Polícia Civil, em greve há um mês, realizava passeata de protesto no local para pressionar o governo do Estado a retomar as negociações pelo fim do movimento.

Os manifestantes tentaram chegar ao Palácio dos Bandeirantes -sede do governo paulista-, mas foram impedidos pelo cordão de isolamento da Tropa de Choque da PM. Soldados reprimiram a passeata com o uso de bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Mais de 20 pessoas ficaram feridas, sendo uma delas um cinegrafista de uma emissora de televisão, e um policial militar. O hospital Albert Einstein informou, por meio de sua assessoria, que 13 feridos deram entrada no pronto atendimento, mas nenhum está em estado grave. Cinco pessoas já foram liberadas. No hospital Itacolomy, outras cinco pessoas foram atendidas: quatro já foram liberadas e uma está sob observação, mas passa bem. No hospital São Luiz mais cinco foram atendidas; todas já receberam alta. E no Hospital Universitário mais duas pessoas foram atendidas e liberadas em seguida.

Segundo informações preliminares da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo, havia cerca de 5.000 policiais na manifestação.

Segundo nota do Palácio dos Bandeirantes, o confronto começou no momento em que o comando grevista aceitou proposta do governo estadual de enviar um representante ao local onde estava concentrada a manifestação para receber um documento com a posição dos manifestantes.

Em entrevista ao SPTV, da TV Globo, o governador de São Paulo, José Serra, criticou a manifestação dos policiais civis. "A maneira de fazer reivindicação não é pegar armas que estão destinadas ao enfrentamento de bandidos e apresentar em manifestações. É um movimento, enquanto movimento armado, absolutamente ilegal", disse, acusando os policiais civis de usar armas do Estado durante o protesto. A jornalistas, Serra afirmou que a manifestação tem cunho político.

Em resposta, os policiais civis rebateram a declaração de Serra e culparam o governo pelo confronto. Já a CUT divulgou uma nota em que acusa Serra de "ludibriar a opinião pública".

O trânsito ficou complicado na região do Morumbi e a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) pede que os motoristas evitem circular pelo local.

Área de segurança
O governo do Estado divulgou uma nota dizendo que a ação da PM se deve ao fato de a área que circunda o Palácio dos Bandeirantes ser considerada de segurança.

"As vias públicas situadas ao redor do Palácio dos Bandeirantes, sede do Poder Executivo Estadual, são consideradas pela Resolução SSP (Secretaria de Segurança Pública) 141, de 20/10/1987, Área de Segurança. Por esse motivo, todas as manifestações populares programadas para esses locais são obrigatoriamente desviadas para áreas próximas, que não se encontram na zona delimitada pela resolução, que abrange as avenidas Morumbi e Giovanni Gronchi e as ruas Combatentes do Gueto, Rugero Fazzano e Padre Lebret", diz a nota.

Cordão de isolamento
Por volta de 15h15, as lideranças do movimento grevista anunciaram aos manifestantes que o governo havia concordado em receber uma comissão dos grevistas. Os policiais, entretanto, seguiram em passeata. Os militares fizeram um cordão de isolamento tentando impedir o avanço.

Com greve "não há acordo"
Em evento no início da tarde no Memorial da América Latina, o governador José Serra (PSDB) reafirmou que a posição do governo em relação ao movimento é de que não há acordo com greve, segundo a Folha Online.

"Gostaríamos de um acordo, mas com greve o acordo não é viável. Negociações em greve não são viáveis. O governo fez sua proposta clara, está disposta a mandar para a Assembléia Legislativa dentro das possibilidades existentes", afirmou Serra.

Fonte: Folha On Line

Bovespa ameniza perdas e fecha em baixa de 1,06%

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve um dia de fortes perdas na maior parte do dia, mas próximo ao fechamento, o desempenho positivo da Bolsa de Nova York, no epicentro da crise, contribuiu para amenizar a baixa. Os investidores oscilam entre o temor por uma recessão global e a oportunidade de embolsar ações a preços bastante deprimidos: a ação da Petrobras, a mais negociada, está no menor nível desde agosto de 2007.

Para analistas, os investidores operam "no escuro", bastante sensíveis a quaisquer notícias negativas e aproveitando "pausas" na crise para reavaliar posições.

O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, retrocedeu 1,06% no fechamento e marcou os 36.441 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,51 bilhões. No pior momento do dia, o índice chegou a apontar baixa de 8,22%.

Com volume de R$ 1,2 bilhão em negócios, a ação preferencial da Petrobras cedeu 7,50% neste pregão. A ação preferencial da Vale, outro papel bastante influente da Bolsa, caiu 2,12%.

Alguns papéis que foram fortemente castigados nas últimas semanas tiveram um momento de "respiro" nesse pregão: a ação da Gol é um dos exemplos mais visíveis, valorizando 24,32% hoje.

O dólar comercial foi cotado a R$ 2,163 na venda, em leve baixa de 0,13%. A taxa de risco-país marca 476 pontos, número 3,25% acima da pontuação anterior.

O Banco Central entrou por três vezes no mercado de câmbio, com leilões de venda no mercado à vista e no mercado futuro ("swap" cambial).

O economista José Francisco Gonçalves, do banco Fator, projeta uma taxa de R$ 2 para o final de ano. Em comentário sobre as expectativas para o câmbio, ele defende que o BC "deixará de elevar a Selic até o fim de 2008" e "que a pressão compradora sobre o dólar por parte dos 'vendidos' deve se manter por mais alguns meses".

As Bolsas européias despencaram no fechamento de hoje: em Londres, o índice FTSE cedeu 5,34%; em Paris, o CAC perdeu 5,91%, enquanto o índice Dax, do mercado de Frankfurt, caiu 4,91%. Nos EUA, a Bolsa de Nova York fechou com ganho de 4,68%.

As Bolsas de Nova York fecharam em alta hoje, após um pregão de muita volatilidade, e saltaram 4% no fim da sessão. Além de investidores que buscam ações baratas --ontem Wall Street teve seu pior dia desde a crise de 1987--, houve alta de empresas de consumo em meio ao recuo nos preços do petróleo.

EUA
O Federal Reserve (Fed, o BC americano) divulgou uma das piores notícias do dia: a produção industrial caiu 2,8% em setembro. Trata-se da maior queda num único mês desde 1974. Analistas do setor financeiro projetavam um declínio de 1,5%. Segundo o Fed, a greve da Boeing e o impacto dos furacões Gustav e Ike influenciaram no desempenho do setor industrial.

Entre outras notícias, o banco norte-americano Citigroup anunciou revelou um prejuízo de US$ 2,8 bilhões no terceiro trimestre. Em idêntico período no ano passado, esse gigante financeiro havia apurado lucro de US$ 2,21 bilhões. O prejuízo por ação (US$ 0,60) ficou, no entanto, um pouco melhor que a previsão da maioria dos analistas do setor financeiro (US$ 0,70).

Ainda nos EUA, o Departamento de Trabalho informou que a inflação medida pelo CPI (preços ao consumidor) apontou estabilidade em setembro, ante uma variação de 0,1% em agosto. Ontem, o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Ben Bernanke, voltou a sinalizar para uma relaxamento da política de juros, tendo em vista a crise financeira. Economistas de grandes bancos de investimentos estimam que a taxa básica americana, hoje em 2% ao ano, pode encerrar 2008 em 1,5%.

Na Europa, o governo alemão reduziu para 0,2% a projeção de crescimento econômico para 2009, contra uma estimativa anterior de 1,2%. A empresa finlandesa Nokia, maior fabricante do mundo de telefones celulares, revelou que o lucro do terceiro trimestre foi 30% menor que os ganhos apurados no mesmo trimestre do ano passado.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Rússia e Geórgia se reúnem pela 1ª vez desde confronto


Representantes dos governos da Rússia e da Geórgia iniciaram conversações face a face na manhã desta quarta-feira em Genebra, na Suíça, pela primeira vez desde o conflito de cinco dias em agosto por conta da Ossétia do Sul.

As negociações, que estão sendo mediadas pela ONU, União Européia e Organização pela Segurança e Cooperação Européia (OSCE), têm como objetivo encorajar o retorno à estabilidade e segurança na região.

Em agosto passado, a Rússia enviou tropas à Ossétia do Sul para expulsar forças da Geórgia que tentavam recuperar o controle sobre a região separatista.

Depois do conflito, Moscou reconheceu a independência da região e da Abecásia – outra região rebelde da Geórgia – provocando críticas de Tbilisi e de líderes ocidentais.

A Geórgia, que cortou laços diplomáticos com a Rússia, afirma que as duas regiões são parte integral de seu território, exigindo a retirada imediata de todas as tropas russa.

Por conta das dificuldades diplomáticas, a agenda do encontro é modesta e prevê apenas a discussão sobre formas de ajudar as pessoas deslocadas pelo conflito e de diminuir a tensão na região.

Retirada

Na semana passada, as tropas russas deixaram as zonas de segurança estabelecidas por Moscou em torno das regiões rebeldes, cumprindo o acordo de cessar-fogo negociado pelo presidente francês Nicolas Sarkozy.

Mas o governo russo já declarou que pretende manter cerca de 8.000 soldados na Abecásia e na Ossétia do Sul.

As diferenças fundamentais sobre o status dos territórios da Ossétia do Sul e da Abecásia, no entanto, podem dificultar as negociações.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, já advertiu que apenas este encontro não deve trazer nenhuma solução rápida.

“A discussão internacional que começa nesta quarta-feira é apenas um começo. Ela não deve ser vista como o fim”, disse ele na cidade suíça, na terça-feira.

“Ela pode levar tempo, então, precisamos ter alguma paciência.”

Alexander Stubb, atual presidente da OSCE, disse: “Nós sabemos que este é um longo processo, estamos levando a coisa devagar, passo a passo.”

Cúpula da UE discute ação coordenada contra crise

A União Européia deve estender a todos seus 27 países membros o plano de ajuda financeira adotado no domingo passado, em Paris, pelos países que utilizam o euro como moeda oficial.

O tema domina a agenda de uma cúpula que os governantes do bloco realizam nesta quarta e quinta-feira em Bruxelas.

Seguindo a estratégia adotada pelos quinze países que formam o chamado Eurogrupo - que exclui, por exemplo, a Grã-Bretanha, a Suécia e a Dinamarca - agora a UE como um todo deve se comprometer a “atuar de forma coordenada e global para proteger o sistema financeiro e os depositantes”, de acordo com o projeto de conclusão, ao qual a BBC Brasil teve acesso.

O documento também reitera o compromisso de adotar “todas as medidas necessárias, em todas as circunstâncias, para preservar a estabilidade do sistema financeiro e garantir a proteção dos depósitos”.

Entretanto, não faz referência explícita a garantias para empréstimos interbancários ou injeções de dinheiro público para recapitalizar instituições em perigo, as bases do plano do Eurogrupo, que o presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso, espera que sejam aceitas pelos outros doze países do bloco.


“Esse é um programa detalhado para a zona euro e para a UE em geral. É um programa para sentar as bases da recuperação e da sustentabilidade futura”, disse Barroso em entrevista coletiva na véspera da cúpula européia.

Ao mesmo tempo, o projeto de conclusão elaborado pela Presidência européia rotativa, em mãos do governo francês, insiste na necessidade de negociar com outros países uma reforma “real e completa” do sistema financeiro internacional, “fundada nos princípios da transparência, solidez bancária, responsabilidade, integridade e governança mundial”.

Por sua parte a CE, órgão Executivo da UE, apresentará uma proposta legislativa para harmonizar as regras nacionais de garantias para depósitos bancários, depois que o bloco decidiu, na semana passada, ampliar para 50 mil euros a garantia mínima que cada país deve oferecer.

Imigração, Rússia e meio ambiente
Apesar de o agravamento da crise financeira ter colocado em segundo plano os demais temas previstos para a reunião, os líderes europeus terão que encontrar tempo também para assinar o Pacto para a Imigração.

Esse é o último passo pendente para que entre em vigor o acordo político pelo qual os 27 países se comprometem a seguir determinados princípios comuns na elaboração de suas leis para essa área.

Segundo o documento de conclusão da cúpula, as iniciativas incluídas no pacto deverão ser colocadas em prática imediatamente. Entre elas está o compromisso de todos os países de não realizar regularizações massivas de imigrantes ilegais e criar mecanismos de incentivo ao retorno voluntário.

A agenda da reunião de dois dias ainda inclui um debate sobre a conveniência de retomar as negociações com Rússia para o estabelecimento de um novo acordo de associação, importante para o abastecimento energético da UE.

Os europeus decidiram suspender o diálogo em 1 de setembro, em represália às ações militares de Moscou em território da Geórgia, e condicionaram a volta à retirada das tropas russas às posições anteriores ao início do conflito.

Na sexta-feira passada, o Alto Representante da UE, Javier Solana, confirmou que Rússia teria concluído a retirada, mas os países bálticos, com apoio da Grã-Bretanha, discordam dessa avaliação.

Além disso, a Presidência francesa insiste em não deixar de fora um novo debate sobre o plano europeu para combater o aquecimento global, que inclui reduzir em 20% as emissões de gases que causam o efeito estufa até 2020.

Por causa da crise financeira, há temores de que alguns países queiram suavizar as metas com as quais já haviam concordado, mas o projeto de conclusão inclui uma linha que expressa a “determinação (da UE) de cumprir os ambiciosos compromissos que assumiu em matéria de política climática e energética”.

Barroso prometeu que as indústrias européias não terão que pagar sozinhas a fatura das adaptações necessárias para que o plano seja respeitado e pediu “ética” e “responsabilidade” aos governantes dos 27.

“Entendo que os países agora queiram se proteger dos efeitos da crise, mas não podemos nos esquecer da ameaça global de mudança no planeta. A crise financeira não reduziu os riscos da mudança climática”, afirmou também na véspera da cúpula.

Análise: Status de superpotência dos EUA está ameaçado

A crise econômica global deve abalar o status dos Estados Unidos como única superpotência da atualidade.

Do ponto de vista prático, os Estados Unidos estão militarmente no limite, com operações no Iraque e no Afeganistão – e, agora, estão também financeiramente no limite.

Do ponto de vista filosófico, vai ficar mais difícil para os americanos defenderem o livre mercado em um momento em que o seu próprio mercado entrou em colapso.

Alguns já vêem o atual momento como crucial.

O filósofo político John Gray, que recentemente se aposentou da prestigiada faculdade de ciências sociais London School of Economics, em Londres, deu seu ponto de vista em um artigo no jornal britânico The Observer: "Temos aqui uma histórica mudança geopolítica, na qual o balanço de poder do mundo está sendo alterado de forma irreversível".

"A era da liderança global americana, que vem desde a Segunda Guerra Mundial, está acabada… a crença americana no livre mercado se autodestruiu, enquanto outros países que mantiveram um controle geral dos mercados tiveram sua vingança."

"Em uma mudança com implicações mais amplas do que a queda da União Soviética, um modelo inteiro de governo e de economia entrou em colapso."

"Quão simbólica é a imagem de astronautas chineses fazendo uma caminhada no espaço enquanto o secretário do Tesouro dos Estados Unidos fica de joelhos", diz.

Não é o fim do mundo

Nem todos concordam que o apocalipse americano chegou. Afinal de contas, o sistema passou por testes no passado.

Em 1987, o índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, caiu mais de 20% em um único dia. Em 2000, a bolha do "ponto com" estourou. Ainda assim, em ambos os casos, os Estados Unidos se recuperaram, como fizeram depois da Guerra do Vietnã.

Os comentários do professor Gray certamente não impressionaram uma dos mais ferrenhos neoconservadores a servirem no governo Bush, o ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton.

Quando apresentei a ele as declarações de Gray, ele perguntou se o professor por acaso estava vendendo os ativos que possui nos Estados Unidos.

"Se estiver, onde ele está aplicando o dinheiro? E se ele não tem ativos nos Estados Unidos, por que devemos prestar atenção nele?"

Não obstante, parece de fato que o conceito de uma superpotência sem concorrentes, que se tornou verdadeiro após o colapso do comunismo (e o suposto fim da história) não é mais válido.

Mundo multipolar

Até mesmo os mais destacados pensadores neoconservadores reconhecem que um mundo mais multipolar está surgindo, mas um em que a posição americana será de liderança.

Em 1987, o índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, caiu mais de 20% em um único dia. Em 2000, a bolha do "ponto com" estourou. Ainda assim, em ambos os casos, os Estados Unidos se recuperaram, como fizeram depois da Guerra do Vietnã.

Os comentários do professor Gray certamente não impressionaram uma dos mais ferrenhos neoconservadores a servirem no governo Bush, o ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton.

Quando apresentei a ele as declarações de Gray, ele perguntou se o professor por acaso estava vendendo os ativos que possui nos Estados Unidos.

"Se estiver, onde ele está aplicando o dinheiro? E se ele não tem ativos nos Estados Unidos, por que devemos prestar atenção nele?"

Não obstante, parece de fato que o conceito de uma superpotência sem concorrentes, que se tornou verdadeiro após o colapso do comunismo (e o suposto fim da história) não é mais válido.

Mundo multipolar

Até mesmo os mais destacados pensadores neoconservadores reconhecem que um mundo mais multipolar está surgindo, mas um em que a posição americana será de liderança.

"Seus cortes nos impostos não vieram acompanhados pela redução nos gastos. O efeito combinado de fatos como as derrotas no Iraque, as dificuldades no Afeganistão, o rechaço da Rússia à interferência americana quando os russos se envolveram na Geórgia e em outros lugares, tudo isso conduz à sensação de que trata-se do fim de uma era."

Força empreendedora

Niblett, entretanto, acredita que é preciso esperar um pouco antes de anunciar um veredicto, já que estruturalmente os Estados Unidos ainda têm força.

"Os Estados Unidos ainda são imensamente atraentes para imigrantes qualificados, e ainda são capazes de produzir uma Microsoft ou uma Google”, continuou.

"Mesmo suas dívidas atuais podem ser revertidas. Eles têm uma enorme resiliência econômica, o que se vê na produção local e no surgimento de novos empreendimentos."

"E há quem possa perguntar – os Estados Unidos estão em decadência em relação a quem? A China está em uma corrida desesperada de crescimento para alimentar sua população e, com isso, evitar transtornos civis em 15 ou 20 anos. A Rússia não é exatamente inofensiva, mas está ampliando seus limites com uma nova estratégia assentada em uma base frágil. A Índia tem imensas contradições internas. A Europa tem, em geral, se mostrado incapaz de sair da estagnação com o dinamismo dos Estados Unidos.”

"Mas os Estados Unidos precisam reencontrar seu caminho nas finanças e o quão bem conseguirem fazer isso vai determinar como será sua capacidade militar. Se tiverem menos dinheiro, terão menos tropas."

Com a eleição presidencial americana se aproximando, valerá a pena voltar ao assunto dentro de um ano para verificar como o mundo vai estar - e qual será o lugar dos Estados Unidos nele.