O MEC (Ministério da Educação) anunciou nesta terça-feira (31) a proposta de criação de um novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Pelo projeto, a avaliação substituiria os vestibulares das universidades federais do país e passaria a ter 200 questões de múltipla escolha - atualmente a prova é composta por 63 - além da redação que já é aplicada.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que espera que o novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) represente "o fim do vestibular tradicional". "Será uma prova que combina as virtudes do Enem com as virtudes do vestibular criando um novo conceito", disse
Não há data definida, no entanto, para a implantação do projeto: "Não seremos açodados [apressados]. Se os reitores quiserem enfrentar esse desafio já este ano, temos condições técnicas para avançar. O que queremos dizer para o país e para a rede de educação superior é que o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, que realiza a prova] está preparado para isso", afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad.
A implantação do novo Enem como forma de seleção para as federais depende ainda de análise dos reitores da universidades. O ministério espera receber um posicionamento dos dirigentes na próxima semana. A nova prova poderá, inclusive, acabar com a exigência do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) para ingressantes nas universidades.
De acordo com o projeto apresentado, o Enem seria aplicado em dois dias diferentes, no mês de outubro - não mais em agosto - com resultados divulgados no início de janeiro. Metade dos testes ficaria para o primeiro dia, e metade para o segundo, junto da dissertação.
Conteúdo do novo Enem
O conteúdo da prova ainda não foi definido e, segundo o MEC, terá de ser construído em parceria com as universidades federais. O que já se sabe é que a prova deverá ser baseada em habilidades e competências e terá quatro eixos: linguagens, códigos e suas tecnologias (incluindo redação); ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; e matemática e suas tecnologias.
O ministério afirma que os novos eixos aproximariam o Enem das Diretrizes Curriculares Nacionais e do que já é ensinado na escola - mas sem abandonar as questões contextualizadas, que exigem a solução de problemas com as habilidades dos estudantes. A idéia seria seguir os temas que já são avaliados no Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos), o supletivo do MEC.
Maior nível de dificuldade
Como a idéia é que o Enem sirva como vestibular, o MEC afirma que a prova terá itens mais complexos. Assim, as perguntas mais difíceis seriam capazes de selecionar os candidatos com melhor preparo.
As perguntas serão elaboradas de acordo com os conteúdos definidos pelas federais junto do ministério; com base na literatura e na prática de realização de provas. Os itens serão pré-testados, para identificar o nível de dificuldade e a probabilidade de acerto com o chute dos alunos.
Segundo o Inep, os testes terão diferentes níveis de dificuldade que permitirão identificar as habilidades dos estudantes.
Por que mudar o Enem?
O MEC argumenta que o vestibular desfavorece candidatos que não podem se locomover pelo território. Assim, um jovem que queira prestar medicina e tenha dificuldades financeiras, dificilmente poderá participar de processos seletivos de diferentes faculdades - e terá suas chances de aprovação diminuídas.
Por outro lado, as federais localizadas em Estados menores ficam restritas aos candidatos de suas regiões.
De acordo com a Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), de todos os estudantes matriculados no primeiro ano do ensino superior, apenas 0,04% residem no estado onde estudam há menos de um ano. Isso significa que é muito baixa a mobilidade entre estudantes nas diferentes unidades da Federação. Nos Estados Unidos, 19,2% dos alunos mudam de estado para cursar a universidade ou o chamado college.
Além disso, o ministério afirma que um exame nacional unificado, desenvolvido com base em habilidades e conteúdos mais relevantes, passaria a ser importante para definir a política educacional e o conteúdo a ser ensinado no segundo grau.
FONTE: Uol Educação
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Lula defenderá no G-20 a extinção de paraísos fiscais, diz porta-voz
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderá na reunião do G-20 a extinção dos paraísos fiscais, informou na segunda-feira o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach.
O encontro, marcado para quinta-feira em Londres, servirá para os principais países desenvolvidos e em desenvolvimento debaterem formas para combater os efeitos da crise financeira global.
"O presidente acredita que os paraísos fiscais são uma maneira de escapar à regulação do sistema financeiro internacional, e, portanto, eles deveriam ser eliminados", destacou Baumbach.
Segundo o porta-voz, o presidente apoiará uma maior coordenação internacional com vistas ao fortalecimento da regulação e supervisão de todas as áreas, produtos e instituições financeiras. Lula também pedirá que organismos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) sejam "democratizados".
"O presidente defenderá o fortalecimento da voz e da participação dos países emergentes e em desenvolvimento para que passe a corresponder ao peso que tais países têm hoje na economia e no crescimento globais", contou o porta-voz.
Outra preocupação do presidente brasileiro será a liberalização do comércio global.
"O presidente Lula está atento ao fato de que o recurso ao protecionismo tem se intensificado, o que já começa a ter reflexos negativos no comércio", disse Baumbach.
"Assim sendo, rejeitará energicamente o protecionismo comercial e financeiro e defenderá soluções para promover a retomada do dinamismo do comércio internacional", antecipou.
Após a reunião do G-20, Lula terá encontros bilaterais com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e com o presidente da China, Hu Jintao. Antes de ir a Londres, visitará o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
Fonte: Reuters
O encontro, marcado para quinta-feira em Londres, servirá para os principais países desenvolvidos e em desenvolvimento debaterem formas para combater os efeitos da crise financeira global.
"O presidente acredita que os paraísos fiscais são uma maneira de escapar à regulação do sistema financeiro internacional, e, portanto, eles deveriam ser eliminados", destacou Baumbach.
Segundo o porta-voz, o presidente apoiará uma maior coordenação internacional com vistas ao fortalecimento da regulação e supervisão de todas as áreas, produtos e instituições financeiras. Lula também pedirá que organismos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) sejam "democratizados".
"O presidente defenderá o fortalecimento da voz e da participação dos países emergentes e em desenvolvimento para que passe a corresponder ao peso que tais países têm hoje na economia e no crescimento globais", contou o porta-voz.
Outra preocupação do presidente brasileiro será a liberalização do comércio global.
"O presidente Lula está atento ao fato de que o recurso ao protecionismo tem se intensificado, o que já começa a ter reflexos negativos no comércio", disse Baumbach.
"Assim sendo, rejeitará energicamente o protecionismo comercial e financeiro e defenderá soluções para promover a retomada do dinamismo do comércio internacional", antecipou.
Após a reunião do G-20, Lula terá encontros bilaterais com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e com o presidente da China, Hu Jintao. Antes de ir a Londres, visitará o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
Fonte: Reuters
Bovespa leva tombo de 3%, e dólar sobe a R$ 2,332 com situação ruim de montadoras
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sofreu um tombo de 2,99% nesta segunda-feira, fechando aos 40.653,13 pontos.
A cotação do dólar comercial subiu 1,75% nesta segunda-feira e fechou em R$ 2,332 na venda, apesar de leilões de dólares realizados pelo Banco Central. As preocupações, no exterior, com os fabricantes de automóveis e os bancos influenciaram o mercado de câmbio.
O pregão na Bovespa refletiu um dia de tensão no mercado internacional e queda forte na Bolsa americana.O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 3,27%, enquanto o Nasda perdeu 2,81%. Os problemas com a indústria automobilística americana foram a principal causa.
Mesmo a boa notícia no Brasil, com medidas para animar a economia, como a prorrogação do corte do IPI dos carros, não conseguiu levantar o Ibovespa (principal índice da Bolsa paulista).
"O mercado está horrível. Cada hora tem uma notícia que deixa todo mundo na expectativa e agora é essa (das montadoras dos Estados Unidos)", avaliou Roseli Braga, operadora de câmbio da corretora SLW.
O governo dos EUA tomou o controle da indústria de veículos do país, forçando a saída do presidente-executivo da General Motors, pressionando a Chrysler em direção a uma fusão e ameaçando de falência ambas as montadoras.
A própria General Motors admitiu que está considerando a possibilidade de pedir falência.
Em outra frente, o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, afirmou no domingo (29) que restam ao governo cerca de US$ 135 bilhões para o resgate a bancos. Ele se recusou a dizer se pediria mais ao Congresso para este ano.
Na Europa, a Espanha realizou o primeiro pacote de resgate bancário desde o início da crise.
Fonte: Reuters
A cotação do dólar comercial subiu 1,75% nesta segunda-feira e fechou em R$ 2,332 na venda, apesar de leilões de dólares realizados pelo Banco Central. As preocupações, no exterior, com os fabricantes de automóveis e os bancos influenciaram o mercado de câmbio.
O pregão na Bovespa refletiu um dia de tensão no mercado internacional e queda forte na Bolsa americana.O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 3,27%, enquanto o Nasda perdeu 2,81%. Os problemas com a indústria automobilística americana foram a principal causa.
Mesmo a boa notícia no Brasil, com medidas para animar a economia, como a prorrogação do corte do IPI dos carros, não conseguiu levantar o Ibovespa (principal índice da Bolsa paulista).
"O mercado está horrível. Cada hora tem uma notícia que deixa todo mundo na expectativa e agora é essa (das montadoras dos Estados Unidos)", avaliou Roseli Braga, operadora de câmbio da corretora SLW.
O governo dos EUA tomou o controle da indústria de veículos do país, forçando a saída do presidente-executivo da General Motors, pressionando a Chrysler em direção a uma fusão e ameaçando de falência ambas as montadoras.
A própria General Motors admitiu que está considerando a possibilidade de pedir falência.
Em outra frente, o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, afirmou no domingo (29) que restam ao governo cerca de US$ 135 bilhões para o resgate a bancos. Ele se recusou a dizer se pediria mais ao Congresso para este ano.
Na Europa, a Espanha realizou o primeiro pacote de resgate bancário desde o início da crise.
Fonte: Reuters
Espanhóis querem comprar 100 mil hectares da Amazônia
Uma ONG que reúne cientistas espanhóis planeja comprar mais de 100 mil hectares na Amazônia para criar uma reserva natural administrada pelas comunidades indígenas.
"A história da Amazônia passou por séculos de esquecimento, e quando alguém se lembrou da região os resultados foram catastróficos, porque os brancos nunca conversaram com os indígenas", disse à Agência Efe o pesquisador Javier Lobón, do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e membro da ONG Manguaré.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a reserva natural ficaria entre a cidade colombiana de Leticia e o Parque Nacional de Amacayacu, situado na fronteira com o Brasil e o Peru, e às margens do rio Amazonas.
A região onde está prevista a criação da reserva possui 110 espécies de mamíferos e 500 de aves.
"Muitos indígenas estão extremamente preocupados", disse Lobón, pois as políticas de integração fizeram com que algumas etnias perdessem sua identidade.
"A prova disso é o fato de que, quando entram em contato com a civilização, a primeira coisa que os indígenas fazem é instalar antenas de televisão e, com elas, a cosmologia ocidental", indicou o especialista.
O projeto piloto, iniciado há alguns meses, acontece em um sítio de 80 hectares.
Os promotores da iniciativa esperam conseguir uma parte "suficientemente grande para conservar a cultura indígena e os ecossistemas", através da compra de terras de madeireiras e a cessão de outras por parte dos Governos de Brasil, Colômbia e Peru.
"Não é fácil conseguir escrituras que certifiquem a propriedade do território, mas conhecemos seus moradores e colaboramos com associações locais", especificou Lobón.
Com um orçamento inicial de US$ 240.730, os membros da ONG esperam conseguir financiamento com algumas entidades e organismos oficiais.
Fonte: EFE
"A história da Amazônia passou por séculos de esquecimento, e quando alguém se lembrou da região os resultados foram catastróficos, porque os brancos nunca conversaram com os indígenas", disse à Agência Efe o pesquisador Javier Lobón, do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e membro da ONG Manguaré.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a reserva natural ficaria entre a cidade colombiana de Leticia e o Parque Nacional de Amacayacu, situado na fronteira com o Brasil e o Peru, e às margens do rio Amazonas.
A região onde está prevista a criação da reserva possui 110 espécies de mamíferos e 500 de aves.
"Muitos indígenas estão extremamente preocupados", disse Lobón, pois as políticas de integração fizeram com que algumas etnias perdessem sua identidade.
"A prova disso é o fato de que, quando entram em contato com a civilização, a primeira coisa que os indígenas fazem é instalar antenas de televisão e, com elas, a cosmologia ocidental", indicou o especialista.
O projeto piloto, iniciado há alguns meses, acontece em um sítio de 80 hectares.
Os promotores da iniciativa esperam conseguir uma parte "suficientemente grande para conservar a cultura indígena e os ecossistemas", através da compra de terras de madeireiras e a cessão de outras por parte dos Governos de Brasil, Colômbia e Peru.
"Não é fácil conseguir escrituras que certifiquem a propriedade do território, mas conhecemos seus moradores e colaboramos com associações locais", especificou Lobón.
Com um orçamento inicial de US$ 240.730, os membros da ONG esperam conseguir financiamento com algumas entidades e organismos oficiais.
Fonte: EFE
segunda-feira, 23 de março de 2009
Calor já fez o manto antártico se romper
Com 5ºC a mais na região oeste da Antártida, o manto de gelo que existe lá provavelmente entra em colapso, como já ocorreu no passado, o que pode fazer aumentar em até 5 metros o nível médio do mar.
A afirmação, que emerge da biografia do manto da Antártida Ocidental publicada na última edição da revista "Nature", se baseia em um modelo matemático (com suas incertezas) e também em análise do sedimento marinho da região.
Esta última, feita pelo grupo liderado por Tim Naish, da Universidade Victoria (Nova Zelândia), mostra que no passado, principalmente entre 3 milhões e 5 milhões de anos atrás, quando a temperatura na Antártida esteve mais alta, ocorreu o colapso do manto de gelo, que pode voltar a ser real no futuro -ainda mais num cenário de aquecimento global.
Sem catástrofe
Segundo Robert DeConto, da Universidade de Massachusetts (EUA), que produziu o modelo matemático, a quebra do manto de gelo é rápida --em termos geológicos, pelo menos. Em 5.000 anos o gelo marinho no oeste do continente pode sumir, para em 7.000 anos, aproximadamente, reaparecer.
O modelo criado pelos cientistas conseguiu detalhar o comportamento das massas de gelo que ficam sobre o mar e também sobre o continente.
O que prova, segundo Philippe Huybrechts, da Universidade Vrije (Bélgica), que escreveu um comentário para 'Nature', ser remota a possibilidade de um colapso catastrófico ocorrer em uma escala ainda mais curta, de uma ou algumas centenas de anos, como alguns grupos de pesquisa estimam.
Para o glaciologista brasileiro Jefferson Simões, o estudo ajuda a acumular evidências, de novo, que a Antártida Ocidental pode sofrer colapsos, contribuindo rapidamente para o aumento do mar'. Mas isso, diz o pesquisador, 'nem chega a ser uma novidade' para os grupos que estudam a região.
O ponto importante do trabalho, ressalta Simões, é reforçar a ideia de que 'além do derretimento em si do manto, podemos jogar muito gelo diretamente para o mar'.
A afirmação, que emerge da biografia do manto da Antártida Ocidental publicada na última edição da revista "Nature", se baseia em um modelo matemático (com suas incertezas) e também em análise do sedimento marinho da região.
Esta última, feita pelo grupo liderado por Tim Naish, da Universidade Victoria (Nova Zelândia), mostra que no passado, principalmente entre 3 milhões e 5 milhões de anos atrás, quando a temperatura na Antártida esteve mais alta, ocorreu o colapso do manto de gelo, que pode voltar a ser real no futuro -ainda mais num cenário de aquecimento global.
Sem catástrofe
Segundo Robert DeConto, da Universidade de Massachusetts (EUA), que produziu o modelo matemático, a quebra do manto de gelo é rápida --em termos geológicos, pelo menos. Em 5.000 anos o gelo marinho no oeste do continente pode sumir, para em 7.000 anos, aproximadamente, reaparecer.
O modelo criado pelos cientistas conseguiu detalhar o comportamento das massas de gelo que ficam sobre o mar e também sobre o continente.
O que prova, segundo Philippe Huybrechts, da Universidade Vrije (Bélgica), que escreveu um comentário para 'Nature', ser remota a possibilidade de um colapso catastrófico ocorrer em uma escala ainda mais curta, de uma ou algumas centenas de anos, como alguns grupos de pesquisa estimam.
Para o glaciologista brasileiro Jefferson Simões, o estudo ajuda a acumular evidências, de novo, que a Antártida Ocidental pode sofrer colapsos, contribuindo rapidamente para o aumento do mar'. Mas isso, diz o pesquisador, 'nem chega a ser uma novidade' para os grupos que estudam a região.
O ponto importante do trabalho, ressalta Simões, é reforçar a ideia de que 'além do derretimento em si do manto, podemos jogar muito gelo diretamente para o mar'.
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