segunda-feira, 6 de abril de 2009

Coreia do Norte lança foguete; EUA articulam punição na ONU


O governo norte-coreano cumpriu neste sábado (4) sua promessa de lançar um foguete de longo alcance para colocar um satélite civil de comunicação em órbita, o que deixou Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão em alerta --os três países afirmam que o foguete mascarava um teste para o lançamento de um poderoso míssil nuclear.

Neste domingo, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) fará uma reunião de emergência sobre o assunto, a pedido dos EUA e do Japão. Para garantir que uma punição seja aprovada, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ligou e conversou, na manhã deste domingo, com chanceleres do Japão, China e Rússia --os dois últimos têm assentos permanentes no Conselho de Segurança e, portanto, poder de veto.

De Praga, na República Tcheca, onde participa de reunião bilateral com a União Europeia, o presidente americano, Barack Obama, pediu que a Coreia do Norte receba, da comunidade internacional, uma "resposta enérgica". "Leis precisam ser efetivas. Violações precisam ser punidas. Palavras precisam ter significado."

"É uma estranha guinada na história. A ameaça de uma guerra global se foi, mas o risco de um ataque nuclear aumentou", disse.

Em discurso, Obama anunciou um plano por "um mundo sem armas nucleares" e disse que os EUA, como detentor de um dos maiores arsenais nucleares do mundo e como único país a já ter utilizado uma bomba nuclear, tem a "responsabilidade moral" de iniciar negociações nesse sentido.

Obama, porém, ressaltou que os EUA jamais ficarão indefesos. "Não se enganem: enquanto essas armas existirem, nós manteremos um seguro, protegido e eficiente arsenal para deter qualquer adversário e garantir a defesa de nossos aliados."

Nesse sentido, Obama disse que irá manter a construção do sistema de defesa antimísseis baseado na República Tcheca e Polônia enquanto o Irã tiver aspirações nucleares --com isso, os EUA pressionam a Rússia, que se sente ameaçada pelo sistema antimísseis, a colaborar com as negociações pela desnuclearização do Irã.

Foguete

O lançamento do foguete norte-coreano ocorreu por volta das 11h30 deste domingo (23h30 de sábado pelo horário de Brasília). Segundo o governo do ditador Kim Jong-il, o satélite que o foguete transportava entrou em órbita e circulou a Terra transmitindo músicas sobre Kim e sobre o pai dele, o general Kim Il-sung.

No entanto, o Comando Aeroespacial dos EUA e o Ministério da Defesa sul-coreano negam o êxito da instalação do satélite em órbita. Conforme os EUA, a primeira fase do míssil caiu no Mar do Japão e o restante, no oceano Pacífico. Nenhum escombro caiu em território japonês.

Para EUA, Coreia do Sul e Japão, o lançamento testou o míssil Taepodong-2, projetado para voar até os Estados americanos do Alasca e Havaí. No primeiro teste do Taepodong-2, feito em julho de 2006, o foguete quebrou 40 segundos após o lançamento.

Naquele mesmo ano, o Conselho de Segurança aprovou a resolução que obriga a Coreia do Norte a suspender toda atividade relacionada ao programa de mísseis balísticos. No pedido pela reunião de emergência que será realizada ainda neste domingo, EUA e Japão acusam este lançamento de foguete de infringir a resolução.

Na reunião de emergência, o Japão irá pedir a prorrogação das sanções contra a Coreia do Norte --que expiram no próximo dia 13-- por um ano, em vez de seis meses. Essas sanções proíbem a importação de produtos norte-coreanos pelo Japão, assim como as exportações de muitos produtos japoneses para a Coreia do Norte e a entrada, em águas territoriais japonesas, dos navios de bandeira norte-coreana.

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