A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) interrompeu o pregão pela sexta vez em pouco mais de 20 dias na jornada desta quarta-feira, mostrando que volatilidade continua a ser a palavra de ordem nos mercados financeiros. A temporada de divulgação de balanços corporativos reforçou o pessimismo dos investidores sobre a perspectiva de uma recessão global.
As oscilações da Bolsa "testaram" os nervos dos participantes do mercado financeiro várias vezes ao dia: por volta das 15h, às 16h, para desabar 10,03% às 17h17, quando o "circuit breaker" foi acionado, suspendendo o pregão por meia hora. Devido a essa interrupção, o expediente foi prorrogado para as 18h18. O "after market" foi ajustado para o horário das 19h às 19h30.
Em um dia bastante turbulento, o Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 10,18%, aos 35.069 pontos. O giro financeiro foi baixo, de R$ 4,42 bilhões. Em Nova York, no epicentro da crise financeiro, a Bolsa despencou 5,69%.
O dólar comercial foi cotado a R$ 2,382 para venda, o que representa um incremento de 6,76% sobre a cotação de ontem. A taxa de risco-país disparou 25,83% e atingiu os 677 pontos. O BC agiu por três vezes no mercado de moeda, primeiro com um leilão de venda de dólares, e com dois leilões de "swap" cambial.
"Foi um conjunto de fatores que atuou para derrubar a Bolsa dessa forma. Um desses fatores foi essa medida provisória do governo para estatização dos bancos, que pegou muito mal no mercado. Passou a impressão de que há instituições financeiras realmente com problemas", afirmou Boris Kogan, operador da corrretora Walpires. "O primeiro-ministro britânico, o Gordon Brown, também anunciou que a Inglaterra deve entrar em recessão, justamente uma das maiores economias do mundo. E nós tivemos ainda balanços muito ruins nos EUA", acrescenta o operador.
Outros analistas notam ainda ação de investidores estrangeiros, fazendo caixa com a venda de ações brasileiras para cobrir necessidades de caixa no exterior.
"O que nos parece é que os mercados ainda não se alinharam com os pacotes já anunciados pelos governos [da Europa e dos EUA] e que representam mais de US$ 3 trilhões [para ajudar o sistema financeiro]. Esses pacotes vão ajudar o sistema financeiro a se capitalizar no médio prazo. O problema é que muitos bancos precisam de dinheiro para ontem", nota Saulo Sabbá, diretor de gestão da Máxima Asset Management. "Ninguém vende ação da Petrobras ou da Vale [do Rio Doce] a R$ 22 porque acha que está cara", reforça.
Estatização
O governo anunciou hoje que autorizou o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a adquirirem participações em instituições financeiras no país sem passar por um processo de licitação.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que muitas instituições financeiras estão com problemas de caixa no país. "Não tem banco quebrando no Brasil. Isso não isenta o sistema financeiro de problema de liquidez. Se não tivesse, o BC não estaria devolvendo o compulsório, não haveria compra de carteira", afirmou ele.
Mantega também afirmou que caso algumas instituições financeiras sejam estatizadas, esses bancos devem ser revendidos, dentro das normas da medida provisória publicada hoje. "É uma medida que responde à necessidade do momento, de crise de liquidez internacional que tem alguma repercussão no Brasil. Depois de restabelecidos o crédito, essas instituições poderão ser revendidas", afirmou o ministro.
A opinião negativa do mercado financeiro sobre a medida provisória não foi unânime. Alguns analistas viram com bons olhos a iniciativa do governo. "O sistema financeiro aqui no Brasil precisa de liquidez, sim. Os bancos de médio porte estão carregados de créditos consignados, que podem repassar e fazer caixa. O problema é no curto prazo: algumas instituições financeiras estão sofrendo um pouco fechar caixa", comenta Saulo Sabbá, da Máxima.
"Aqui, nós vamos temos algumas vantagens sobre os bancos no exterior. Como os créditos são mais homogêneos, seria fácil juntar alguns ativos num mesmo fundo e vender a 130% do CDI, por exemplo. Os bancos podem ser capitalizados mais rapidamente", avalia.
Empresas
Ontem à noite, o portal Yahoo! revelou um lucro líquido de US$ 54,34 milhões no terceiro trimestre, número 64% abaixo dos ganhos registrados no mesmo período em 2007.
E hoje, o banco Wachovia anunciou um prejuízo de US$ 23,9 bilhões no terceiro trimestre. Segundo agências internacionais, trata-se da maior perda já registrada por uma instituição financeira desde o início da crise dos créditos "subprime".
A brasileira Suzano Papel e Celulose informou hoje prejuízo líquido de R$ 293,07 milhões no terceiro trimestre, ante um lucro de R$ 168,34 milhões em idêntico período em 2007. No terceiro trimestre do ano passado, as receitas financeiras haviam superado as despesas em R$ 84,06 milhões. Neste ano, no entanto, o chamado "resultado financeiro líquido" (receitas menos despesas) ficou negativo em R$ 653,51 milhões.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Bovespa avança 6,25%, com Vale e Petrobras; dólar atinge R$ 2,13
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ganha ímpeto e sobe mais de 6%, a reboque da recuperação das Bolsas internacionais e sustentada pela valorização dos preços nas commodities (matérias-primas). Em uma "pausa" da crise, investidores mostram um relativo otimismo sobre os esforços dos governos europeus e dos EUA para auxiliar o sistema financeiro.
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, avança 6,25% e bate os 38.673 pontos. O giro financeiro é de R$ 3,47 bilhões.
As ações líderes da Bolsa, Petrobras e Vale, puxam a valorização do mercado brasileiro. A ação da estatal petrolífera, com giro de R$ 550 milhões, sobe 7,52%, enquanto a ação da mineradora ascende 7,77%, com negócios de R$ 380 milhões.
O dólar comercial é cotado a R$ 2,130 na venda, em alta de 0,47%. A taxa de risco-país marca 490 pontos, número 1,01% abaixo da pontuação anterior.
As Bolsas européias fecharam com fortes altas, a exemplo de Londres (5,40%), Paris (3,56%) e Frankfurt (1,12%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York sobe 2,39%.
O governo da Suécia apresentou hoje um plano de 1,5 trilhão de coroas (cerca de US$ 203 bilhões) para ajudar o sistema financeiro de seu país. Além da Suécia, recentemente os governos da Holanda, China, Índia e Coréia do Sul apresentaram medidas para enfrentar os desdobramentos da crise financeira. E hoje, o presidente do Fed (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, defendeu um novo plano de estímulo à economia.
No Reino Unido, o ministro das Finanças, Alistair Darling, disse ao "Daily Telegraph" que o governo britânico deve aumentar seus gastos para ajudar a economia a enfrentar um período de recessão.
Ainda no front doméstico, a inflação medida pelo IGP-M subiu 0,86%, pela segunda leitura prévia do mês de outubro. No mesmo período em setembro, a leitura prévia apontava inflação de 0,04%.
Hoje, o Banco Central brasileiro realiza o seu primeiro leilão de dólares, com o compromisso dos bancos em utilizar os recursos em operação de financiamentos para a exportação. O leilão de US$ 2 bilhões será realizado entre as 16h e 17h.
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, avança 6,25% e bate os 38.673 pontos. O giro financeiro é de R$ 3,47 bilhões.
As ações líderes da Bolsa, Petrobras e Vale, puxam a valorização do mercado brasileiro. A ação da estatal petrolífera, com giro de R$ 550 milhões, sobe 7,52%, enquanto a ação da mineradora ascende 7,77%, com negócios de R$ 380 milhões.
O dólar comercial é cotado a R$ 2,130 na venda, em alta de 0,47%. A taxa de risco-país marca 490 pontos, número 1,01% abaixo da pontuação anterior.
As Bolsas européias fecharam com fortes altas, a exemplo de Londres (5,40%), Paris (3,56%) e Frankfurt (1,12%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York sobe 2,39%.
O governo da Suécia apresentou hoje um plano de 1,5 trilhão de coroas (cerca de US$ 203 bilhões) para ajudar o sistema financeiro de seu país. Além da Suécia, recentemente os governos da Holanda, China, Índia e Coréia do Sul apresentaram medidas para enfrentar os desdobramentos da crise financeira. E hoje, o presidente do Fed (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, defendeu um novo plano de estímulo à economia.
No Reino Unido, o ministro das Finanças, Alistair Darling, disse ao "Daily Telegraph" que o governo britânico deve aumentar seus gastos para ajudar a economia a enfrentar um período de recessão.
Ainda no front doméstico, a inflação medida pelo IGP-M subiu 0,86%, pela segunda leitura prévia do mês de outubro. No mesmo período em setembro, a leitura prévia apontava inflação de 0,04%.
Hoje, o Banco Central brasileiro realiza o seu primeiro leilão de dólares, com o compromisso dos bancos em utilizar os recursos em operação de financiamentos para a exportação. O leilão de US$ 2 bilhões será realizado entre as 16h e 17h.
Reservas chinesas podem ser 'salvação' para crise global
Com quase US$ 2 trilhões em reservas de moeda estrangeira, a China é considerada por alguns como a potencial salvadora do sistema bancário ocidental.
Para tentar resgatar as empresas do setor financeiro, os governos ocidentais precisam de dinheiro, e a China parece um bom lugar para consegui-lo.
Mas economistas chineses dizem que, mesmo se estiver mostrar disposto a fazer sua parte nos esforços de resgate, o país não passará cheques em branco.
Autoridades do governo chinês dizem estar mais preocupadas com seus próprios problemas como evitar a desaceleração de sua própria economia.
Qualquer ajuda oferecida pelo governo chinês para ajudar a solucionar a atual crise financeira deverá vir com amarras.
O florescimento das exportações chinesas nos últimos anos ajudou o país a construir a maior reserva do mundo em moeda estrangeira.
Segundo números divulgados na semana passada, o montante chega a US$ 1,9 trilhão.
Empréstimo
Em artigo publicado no diário financeiro britânico Financial Times, o economista Arvind Subramanian sugere que os Estados Unidos poderiam tomar algum dinheiro emprestado da China.
"O governo chinês poderia oferecer um empréstimo de até US$ 500 bilhões para o governo americano para ajudar a resgatar seu setor financeiro", disse Subramanian, do Instituto Peterson de Economia Internacional.
Na realidade, os chineses têm feito algo parecido com um empréstimo nos últimos anos. O governo de Pequim tem comprado parte da dívida americana, o que possibilitou aos Estados Unidos gastar além do que poderiam.
"A China já está ajudando a economia americana e, se possível, continuará a fazê-lo", disse Zhao Xiijun, da Universidade Remin, em Pequim.
Mas, para Zhao, a China não poderá, sozinha, resolver os problemas financeiros do mundo. Na opinião do economista, outros emergentes como Índia, Rússia e Brasil também terão de ajudar.
"Não será suficiente se as economias emergentes ou os países desenvolvidos fizerem isso sozinhos", acrescentou Zhao. "Eles deverão fazer isso juntos."
Agenda chinesa
Apesar de a China ter dinheiro para ajudar, não é certo que haja vontade política para colocar a crise financeira mundial no topo da agenda do país.
Os líderes chineses já sinalizaram que os governos do Ocidente devem sanar seus próprios problemas financeiros.
Yi Gang, vice-diretor do Banco Popular da China, levantou essa questão durante um encontro de líderes mundiais em Washington na semana passada.
"O Banco Mundial deveria pedir aos países desenvolvidos que carreguem nas costas suas responsabilidade por estabilizar a economia global", afirmou.
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, também acrescentou seus comentários ao debate. Disse que seu país fará sua parte na crise, mas, em uma conversa telefônica com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, deixou claro onde residem as prioridades da China.
"A coisa mais importante para a China agora é lidar com suas próprias questões", teria dito o primeiro-ministro, segundo relatos obtidos pela agência estatal chinesa Xinhua.
Há alguns dias, a China prometeu dobrar, nos próximos 12 anos, os salários dos moradores da zona rural, onde ainda vive a maioria de sua população.
O governo vai tentar cumprir a promessa, apesar de o economista chinês independente Andy Xie acreditar na desaceleração econômica do país.
Xie diz que a China escapou dos grandes problemas financeiros que afetaram os outros, mas terá de procurar outras áreas do mundo para gerar crescimento no futuro.
Para tentar resgatar as empresas do setor financeiro, os governos ocidentais precisam de dinheiro, e a China parece um bom lugar para consegui-lo.
Mas economistas chineses dizem que, mesmo se estiver mostrar disposto a fazer sua parte nos esforços de resgate, o país não passará cheques em branco.
Autoridades do governo chinês dizem estar mais preocupadas com seus próprios problemas como evitar a desaceleração de sua própria economia.
Qualquer ajuda oferecida pelo governo chinês para ajudar a solucionar a atual crise financeira deverá vir com amarras.
O florescimento das exportações chinesas nos últimos anos ajudou o país a construir a maior reserva do mundo em moeda estrangeira.
Segundo números divulgados na semana passada, o montante chega a US$ 1,9 trilhão.
Empréstimo
Em artigo publicado no diário financeiro britânico Financial Times, o economista Arvind Subramanian sugere que os Estados Unidos poderiam tomar algum dinheiro emprestado da China.
"O governo chinês poderia oferecer um empréstimo de até US$ 500 bilhões para o governo americano para ajudar a resgatar seu setor financeiro", disse Subramanian, do Instituto Peterson de Economia Internacional.
Na realidade, os chineses têm feito algo parecido com um empréstimo nos últimos anos. O governo de Pequim tem comprado parte da dívida americana, o que possibilitou aos Estados Unidos gastar além do que poderiam.
"A China já está ajudando a economia americana e, se possível, continuará a fazê-lo", disse Zhao Xiijun, da Universidade Remin, em Pequim.
Mas, para Zhao, a China não poderá, sozinha, resolver os problemas financeiros do mundo. Na opinião do economista, outros emergentes como Índia, Rússia e Brasil também terão de ajudar.
"Não será suficiente se as economias emergentes ou os países desenvolvidos fizerem isso sozinhos", acrescentou Zhao. "Eles deverão fazer isso juntos."
Agenda chinesa
Apesar de a China ter dinheiro para ajudar, não é certo que haja vontade política para colocar a crise financeira mundial no topo da agenda do país.
Os líderes chineses já sinalizaram que os governos do Ocidente devem sanar seus próprios problemas financeiros.
Yi Gang, vice-diretor do Banco Popular da China, levantou essa questão durante um encontro de líderes mundiais em Washington na semana passada.
"O Banco Mundial deveria pedir aos países desenvolvidos que carreguem nas costas suas responsabilidade por estabilizar a economia global", afirmou.
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, também acrescentou seus comentários ao debate. Disse que seu país fará sua parte na crise, mas, em uma conversa telefônica com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, deixou claro onde residem as prioridades da China.
"A coisa mais importante para a China agora é lidar com suas próprias questões", teria dito o primeiro-ministro, segundo relatos obtidos pela agência estatal chinesa Xinhua.
Há alguns dias, a China prometeu dobrar, nos próximos 12 anos, os salários dos moradores da zona rural, onde ainda vive a maioria de sua população.
O governo vai tentar cumprir a promessa, apesar de o economista chinês independente Andy Xie acreditar na desaceleração econômica do país.
Xie diz que a China escapou dos grandes problemas financeiros que afetaram os outros, mas terá de procurar outras áreas do mundo para gerar crescimento no futuro.
Economia da China desacelera pelo terceiro trimestre consecutivo
A economia da China cresceu 9% no terceiro trimestre, desacelerando de uma expansão de 10,1% observada nos três meses anteriores.
A desaceleração da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) ocorre apesar de a China ter registrado saldo positivo recorde na balança comercial em agosto e setembro e vir apresentando níveis consistentes no aumento de investimentos e do consumo doméstico no país.
Na média, o crescimento do PIB da China entre janeiro e setembro deste ano está em 9,9%, com um primeiro semestre de expansão de 10,4%, informou nesta segunda-feira o Departamento Nacional de Estatísticas do país em um comunicado oficial.
O porta-voz do governo Li Xiaochao afirmou que a desaceleração é muito maior do que a esperada pelo governo e disse que a "incerteza e volatilidade" dos mercados internacionais contribuíram para esse resultado.
Retrocesso
No entanto, analistas ressaltam que apesar de ser um retrocesso frente à expansão de quase 12% observada no ano passado, o crescimento atual é tido como excelente em meio à crise nos mercados e a situação observada no Ocidente.
"É um retrocesso, mas eu posso viver com um crescimento de 9%. Isso ainda é um excelente resultado se comparado com a recessão que vemos em outras economias", disse à BBC Brasil Andrew Freris, estrategista sênior de investimentos para a Ásia do banco BNP Paribas em Hong Kong.
Analistas acreditam que os resultados verdadeiramente sombrios causados pela crise nos mercados deverão aparecer nas estatísticas mais adiante, somente a partir do primeiro trimestre de 2009.
Empresas do delta do Rio das Pérolas, região do sul que concentra grande atividade industrial, já começaram a fechar as portas. Na semana passada, uma fabricante de brinquedos encerrou atividades em duas fábricas, demitindo mais de 6.500 trabalhadores.
Um estudo da Federação de Indústrias de Hong Kong divulgado neste fim de semana estima que outros 2,5 milhões de trabalhadores ficarão sem emprego na região nos próximos três meses devido ao fechamento de pequenas e médias empresas dependentes de exportações.
Setembro registrou a produção industrial mais baixa dos últimos seis anos, e a economia da China vem apresentando desaceleração há mais de três trimestres consecutivos.
Pacote de estímulo
Preocupado com a perspectiva de um forte baque econômico, o governo afirmou estar trabalhando para preservar o crescimento e controlar a inflação.
Economistas aguardam o anúncio de um pacote de estímulo que deverá incluir cortes em impostos e mais investimento em infra-estrutura. Flexibilização de crédito para o mercado imobiliário também poderá integrar o conjunto de medidas.
O banco central já cortou por duas vezes a taxa de juros, e estima-se que até o fim do ano seja anunciado mais um corte.
Além disso, uma nova política agrária que permite troca e negociação de terrenos arrendados pelo governo para facilitar a produtividade no campo e trazer mais riqueza aos agricultores também foi anunciada na semana passada.
Investimento e consumo
Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, o governo deve seguir estimulando investimento e consumo doméstico.
"Sim, estamos vendo uma rotação da demanda para o lado interno. A composição do PIB mostra que há aumento consistente no consumo doméstico nos últimos anos", disse Grace Ng, economista do banco JP Morgan.
"É bastante encorajador que mais de 8% do crescimento de 9,9% observado desde o começo do ano tenha como motor o investimento e o consumo doméstico", avalia Glenn Maguire, Economista Chefe para a região Ásia-Pacífico do banco Societé Generale.
Freris afirmou que está otimista com o resultado, porque ele mostra que a economia chinesa poderá, a longo prazo, enfrentar o período de incerteza que se aproxima com a queda no consumo norte-americano.
"Mesmo que haja uma redução extrema das exportações, a China não depende mais disso para realizar um crescimento consistente, o que já é excelente", avalia Freris.
"Ainda que exista um cenário de colapso global, a China é capaz de crescer puramente com seu consumo interno", ressaltou Maguire.
Inflação
A inflação, que é medida pelo índice de preços ao consumidor, também mostrou retração, ficando na casa dos 4,6% em setembro, um recuo frente aos 4,9% observados em agosto.
Esse já é o quinto trimestre seguido em que os preços ao consumidor retrocedem. A redução na inflação foi o objetivo central da política econômica chinesa desde o começo do ano, mas com a perspectiva de desaceleração no PIB, o governo passa a ter novas prioridades.
De acordo com o porta-voz Li Xiaochao, apesar de tudo, os fundamentos da economia da China estão essencialmente bons porque o crescimento ainda é estável e acelerado, os preços ao consumidor seguem caindo e a estrutura industrial está se adaptando a uma nova dinâmica.
A desaceleração da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) ocorre apesar de a China ter registrado saldo positivo recorde na balança comercial em agosto e setembro e vir apresentando níveis consistentes no aumento de investimentos e do consumo doméstico no país.
Na média, o crescimento do PIB da China entre janeiro e setembro deste ano está em 9,9%, com um primeiro semestre de expansão de 10,4%, informou nesta segunda-feira o Departamento Nacional de Estatísticas do país em um comunicado oficial.
O porta-voz do governo Li Xiaochao afirmou que a desaceleração é muito maior do que a esperada pelo governo e disse que a "incerteza e volatilidade" dos mercados internacionais contribuíram para esse resultado.
Retrocesso
No entanto, analistas ressaltam que apesar de ser um retrocesso frente à expansão de quase 12% observada no ano passado, o crescimento atual é tido como excelente em meio à crise nos mercados e a situação observada no Ocidente.
"É um retrocesso, mas eu posso viver com um crescimento de 9%. Isso ainda é um excelente resultado se comparado com a recessão que vemos em outras economias", disse à BBC Brasil Andrew Freris, estrategista sênior de investimentos para a Ásia do banco BNP Paribas em Hong Kong.
Analistas acreditam que os resultados verdadeiramente sombrios causados pela crise nos mercados deverão aparecer nas estatísticas mais adiante, somente a partir do primeiro trimestre de 2009.
Empresas do delta do Rio das Pérolas, região do sul que concentra grande atividade industrial, já começaram a fechar as portas. Na semana passada, uma fabricante de brinquedos encerrou atividades em duas fábricas, demitindo mais de 6.500 trabalhadores.
Um estudo da Federação de Indústrias de Hong Kong divulgado neste fim de semana estima que outros 2,5 milhões de trabalhadores ficarão sem emprego na região nos próximos três meses devido ao fechamento de pequenas e médias empresas dependentes de exportações.
Setembro registrou a produção industrial mais baixa dos últimos seis anos, e a economia da China vem apresentando desaceleração há mais de três trimestres consecutivos.
Pacote de estímulo
Preocupado com a perspectiva de um forte baque econômico, o governo afirmou estar trabalhando para preservar o crescimento e controlar a inflação.
Economistas aguardam o anúncio de um pacote de estímulo que deverá incluir cortes em impostos e mais investimento em infra-estrutura. Flexibilização de crédito para o mercado imobiliário também poderá integrar o conjunto de medidas.
O banco central já cortou por duas vezes a taxa de juros, e estima-se que até o fim do ano seja anunciado mais um corte.
Além disso, uma nova política agrária que permite troca e negociação de terrenos arrendados pelo governo para facilitar a produtividade no campo e trazer mais riqueza aos agricultores também foi anunciada na semana passada.
Investimento e consumo
Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, o governo deve seguir estimulando investimento e consumo doméstico.
"Sim, estamos vendo uma rotação da demanda para o lado interno. A composição do PIB mostra que há aumento consistente no consumo doméstico nos últimos anos", disse Grace Ng, economista do banco JP Morgan.
"É bastante encorajador que mais de 8% do crescimento de 9,9% observado desde o começo do ano tenha como motor o investimento e o consumo doméstico", avalia Glenn Maguire, Economista Chefe para a região Ásia-Pacífico do banco Societé Generale.
Freris afirmou que está otimista com o resultado, porque ele mostra que a economia chinesa poderá, a longo prazo, enfrentar o período de incerteza que se aproxima com a queda no consumo norte-americano.
"Mesmo que haja uma redução extrema das exportações, a China não depende mais disso para realizar um crescimento consistente, o que já é excelente", avalia Freris.
"Ainda que exista um cenário de colapso global, a China é capaz de crescer puramente com seu consumo interno", ressaltou Maguire.
Inflação
A inflação, que é medida pelo índice de preços ao consumidor, também mostrou retração, ficando na casa dos 4,6% em setembro, um recuo frente aos 4,9% observados em agosto.
Esse já é o quinto trimestre seguido em que os preços ao consumidor retrocedem. A redução na inflação foi o objetivo central da política econômica chinesa desde o começo do ano, mas com a perspectiva de desaceleração no PIB, o governo passa a ter novas prioridades.
De acordo com o porta-voz Li Xiaochao, apesar de tudo, os fundamentos da economia da China estão essencialmente bons porque o crescimento ainda é estável e acelerado, os preços ao consumidor seguem caindo e a estrutura industrial está se adaptando a uma nova dinâmica.
OIT prevê 20 milhões a mais de desempregados devido à crise financeira
A crise financeira pode colocar na rua 20 milhões de pessoas em todo o mundo até o final de 2009, afirmou o diretor geral da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Juan Somavía, em uma entrevista coletiva à imprensa.
Segundo as estimativas da OIT apresentadas por Somavía, "o número de desempregados poderá subir de 190 milhões em 2007 para 210 milhões no final de 2009", e inclusive ser maior se a crise se agravar.
"Precisamos de uma ação rápida e coordenada dos governos para evitar uma crise social que poderá ser grave, prolongada e mundial", acrescentou o chileno.
Segundo o relatório anual da OIT, divulgado na semana passada, a globalização não apenas "falhou em contribuir no desenvolvimento da produtividade global e na criação de empregos" como também "intensificou a instabilidade econômica".
"Globalmente, crises no setor bancário foram 10 vezes mais freqüentes nos anos 90 do que no final dos anos 70", diz o documento. "O desemprego deve aumentar em conseqüência da queda no investimento e isso pode intensificar ainda mais as desigualdades de renda", afirmou a OIT.
Fonte: France Presse
Segundo as estimativas da OIT apresentadas por Somavía, "o número de desempregados poderá subir de 190 milhões em 2007 para 210 milhões no final de 2009", e inclusive ser maior se a crise se agravar.
"Precisamos de uma ação rápida e coordenada dos governos para evitar uma crise social que poderá ser grave, prolongada e mundial", acrescentou o chileno.
Segundo o relatório anual da OIT, divulgado na semana passada, a globalização não apenas "falhou em contribuir no desenvolvimento da produtividade global e na criação de empregos" como também "intensificou a instabilidade econômica".
"Globalmente, crises no setor bancário foram 10 vezes mais freqüentes nos anos 90 do que no final dos anos 70", diz o documento. "O desemprego deve aumentar em conseqüência da queda no investimento e isso pode intensificar ainda mais as desigualdades de renda", afirmou a OIT.
Fonte: France Presse
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